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Eu sempre gostei de ouvir os mais velhos, suas experiências quase sempre me traziam ensinamentos que me amadureciam sem causar danos, mas aquilo me parecia errado, equivocado. Um verdadeiro disparate!
Não existe felicidade?
Sempre que ouvia o conselho dos mais velhos, questionava-me como
ele havia adquirido tal ensinamento e procura em meio a suas rugas uma brecha
que me remetesse a tal experiencia.
Rugas. Essa era uma coisa bastante presente naquele rosto. Ela,
provavelmente, carregava inúmeros ensinamentos. E ,em meio a tantas rugas,
aquela, embaixo dos seus olhos, era a responsável por tamanho disparate.
Os olhos, são eles os responsáveis por nos apresentar as cores, não
só das coisas, mas também das palavras.
A alegria, por exemplo, deve ter uma intensidade amarela, enquanto
a esperança sempre nos alcança com o seu tom de verde e sereno.
O mundo é colorido, e a ruga, embaixo dos olhos daquela mulher,
também tinha a sua cor.
Um dia, ouvi dizer que todas as palavras, após o ponto final,
atingiam o coração. Agora imagine o coração como uma tela branca, bombardeada
por inúmeras palavras, que carregam consigo cada uma a sua cor.
Logo teremos corações verdes de esperança, amarelos de alegria e com tantas outras cores mais...
Quando o coração é atingido muito por uma mesma tinta, aquela cor
acaba predominando e influenciando também na forma de como enxergamos as coisas.
E é por isso que nos depararmos com olhos verdes de esperança,
amarelos de alegria, negros de tristeza ou cinzas de pessimismo...
Como aquela ruga, embaixo dos seus olhos.
Tudo é uma questão de como olhamos o mundo.
Eu sempre gostei de ouvir os mais velhos. E foi com um deles que
aprendi a ver as cores em meio às palavras e, diante de tantas palavras verdes
que me atingiram ao longo da minha vida, prefiro dizer que não existe tristeza
e sim, momentos tristes.